Meu Perfil
BRASIL, Sudeste, BELO HORIZONTE, SANTO ANTONIO, Homem
MSN - leocattoni@hotmail.com


 10/07/2005 a 16/07/2005
 03/07/2005 a 09/07/2005
 26/06/2005 a 02/07/2005
 19/06/2005 a 25/06/2005
 12/06/2005 a 18/06/2005
 05/06/2005 a 11/06/2005
 29/05/2005 a 04/06/2005
 22/05/2005 a 28/05/2005
 15/05/2005 a 21/05/2005
 08/05/2005 a 14/05/2005
 01/05/2005 a 07/05/2005
 24/04/2005 a 30/04/2005
 17/04/2005 a 23/04/2005
 10/04/2005 a 16/04/2005
 03/04/2005 a 09/04/2005
 27/03/2005 a 02/04/2005
 20/03/2005 a 26/03/2005
 13/03/2005 a 19/03/2005
 06/03/2005 a 12/03/2005
 27/02/2005 a 05/03/2005
 20/02/2005 a 26/02/2005
 13/02/2005 a 19/02/2005
 06/02/2005 a 12/02/2005
 30/01/2005 a 05/02/2005


 Dê uma nota para meu blog


 Artigos do Arnaldo Jabor
 As cartas de Elise
 Boca Depende do Humor
 BH revelada
 Chuva de Nanquim
 Cristovam Buarque PT
 Fotolog do Quezkara ( banda de meu irmão ) :)
 Mundokiko
 Um Certo Diogo Mainardi





Recanto no diário vácuo


A máscara usada pra roubar o real

Ontem eu fui dormir matutando um negócio. Era sobre Orkut e alguns “orkutários” na minha lista. Acordei fazendo um cálculo. Na verdade era uma equação para chegar em um exato número, a quantidade certa de “orkutários”.

Bem, são sessenta e sete friends, sendo que dezessete são meros conhecidos do mundo virtual. Ou seja, vinte e cinco por cento dos meus friends são virtuais mesmo. Desses vinte e cinco por cento, mais ou menos a mesma quantidade, ou seja, os mesmos vinte e cinco por cento eram mesmo “orkutários”. Não vou dar nome aos bois aqui. E eram eles que me incomodavam, que me tiraram o sono durante essa noite. Até as frases deles eram algo fora do real( virtual ), pareciam tudo pré-fabricados, esforçados, decorados e ensaiados. Por tanto fuçar o Orkut, eu já sei que, o primeiro da esquerda que está na “capa” foi o último a entrar. Era isso que desvendava todo o mistério. Quando eu mandava um scrap para um cidadão que se enquadrava nos vinte e cinco por cento dos que já eram virtuais, ele demorava uma eternidade pra responder. Entravam e nada, e depois de uma eternidade lá vinha a resposta da pergunta simples. Era algo gigante e não pragmático. Não quero insultar ninguém com esse texto, mesmo porque sou também, às vezes, um filosofo de merda, mas essa filosofia demasiada era algo que me incomodava bastante. Eu mandava um scrap  do tipo: “Como tu tá? Tu sumiu, esse silêncio me causa mal” e depois de anos vinha uma resposta gigante, mesclando com o que era de meu interesse com o que não era, caso fosse de meu interesse a pergunta não seria apenas aquilo.

Freqüentei salas de Chat, que se dizia algo fora de série, já que era algo do tipo“papo-cabeça” e via pessoas teclando coisas malucas. Ao invés do cidadão dizer que sairia pela vontade de cagar, ele preferia digitar algo do tipo: “Vou ali, expelir os excrementos num vaso que não é de flores ou plantas” . Era tão mais fácil, tanto pra ele como para os presentes ali, ele ter falado que iria cagar ou pra soar algo mais meigo, fazer cocô.

Uma dessas pessoas, que me tirava da coisa simples, do singelo veio até Bhte e marcou comigo um encontro. Ensaiei várias vezes pra encará-la frente a frente. Quando encontramos, a pessoa que já não era virtual, já que assassinou o virtual se tornando real, ficou extremamente calada. Na hora eu pensei: “Ela deve ser tímida, vou enchê-la de álcool e ver o que ela tem pra me falar”. A pessoa não falava nada, ficava quieta e silenciosa, observando o Leonardo falar bobagens sem fim. Comecei a falar do Brizola, que é adorado e odiado por muitos, mas a pessoa não falava nada e parecia concordar o tempo todo comigo. Aposto que se eu tivesse no Chat ela me crucificaria, mas no real não, ela ficou rindo, com aquela cara de quem tava aceitando e achando tudo bonito. Por falar em Brizola, fiquei puto de ninguém ter feito uma biografia do cara. Não sei se já saiu algo a respeito, mas um tempo atrás procurei algo parecido em livrarias e nada. O pior foi ver em todas as livrarias, logo após a morte do Roberto Marinho uma biografia dele exposta em todas as vitrines.

O cara ainda tinha herdeiros e um soldado global feito o Pedro Bial, que não poderia deixar em branco o culto ao pai do patrão. Ta certo que Mussolini, Manson e Hitler tem uma biografia e o Roberto não poderia ficar de fora, mas o pouco caso sobre o Brizola me incomodava bastante.

 Voltando ao assunto, acho as pessoas virtuais um tédio na maioria ou minoria das vezes( depende do meu humor ) pior é quando eu recebia um scrap nada a ver e tinha que matutar e calcular algo a altura para responder Como sabem bem: merda sempre gera merda e era uma merda atrás da outra. A minha resposta não poderia ser diferente. Era uma merda legal. Bacana de se ler pra rir.

Eu só gostaria de entendê-los e saber o por que disso tudo, dessa coisa pré-fabricada e tal.

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 00h53
[ ] [ envie esta mensagem ]



O Fim para o Começo

Começo diferente. Talvez transcrevo aqui o fim, o meio ou até mesmo o início, o feto que virou homem ou mostro, ou homem monstruoso que virou pó.

“A única realidade é aquela que se contém dentro de nós, e se os homens vivem tão irrealmente é porque aceitam como realidade”.

Talvez nada mais seja paralelo, talvez percorra mesmo em meu sangue.

Entreguei-me de corpo e alma, dei o que muitos queriam, e na verdade era o que eu queria, e esse me foi doloroso, porque tudo que eu queria eu dava e não conseguia em momento algum dar a mim mesmo.

Farei abstinência do mundo virtual porque me é necessário, porque preciso de alguma forma entrar pra o lugar que o sangue exala cheiro, se torna matizado e transborde para o exterior na busca do estancamento.

Lutarei, mesmo que sem arma, inerme, sabendo que a pior luta é a consigo mesmo, mas lutarei com todo fervor. Buscarei luz, claridade entre as montanhas, observarei a pele mudar de tonalidade, provando toda a verdade.

Já ando há muito tempo sem norte, sem saber quem eu sou, mesmo sabendo que é um caminho eterno para essa procura, essa busca sem descoberta.

 Procurava no “Soueu!” aquilo que não encontrava em mim. Por ele ser tão medíocre, simples, me veio à vergonha, o pudor de sê-lo. Escondia dentro de mim mesmo, e sem qualquer objeto para se pôr de trás, ficava quieto, silencioso, ansioso, medroso. Senti um pouco a aspeza da solidão, o alívio de não me encontrarem, no entanto, escondi para ser achado e nunca, nunca fui.

A “sala” já estava interiorizada, já ia para os sonos mais profundos e percorria no cotidiano sem sombra, vagando em pensamentos. Em qualquer lugar que meu corpo estivesse podia a qualquer momento chegar de surpresa alguém daquele mundo em meu pensamento. Devaneava no interior tudo que ali se encontrava.

Com laivo de ironia o “Soueu!” teclava verdades, soluçava verdades,  transpirava verdades e nada ganhaste a não ser dor. Agora busca o alívio, a fuga da dor, procurando campos para correr e suar, para exalar mal cheiro.

 Talvez lá fosse a tertúlia, o canto ao confinamento, a cura da solidão. A verdade é: lá era um mundo como outro qualquer, que continha dor, tristeza, ódio, felicidade, amor, paixão, desejo, pecado, medo e decepção.

Talvez a Mari fosse o último desejo de Leonardo, o último dos últimos, o fim para o começo.  Talvez ela fosse a mulher a dar todas as luzes, gerar o que em nele não se podia. Ser mãe de seus filhos, ser mãe dele(de mim)mesmo, ser minha guia e ajudar-me a encontrar-me. Talvez ela fosse, mas já não é. Coloquei-a no altar por diversas vezes e não me via nela. Talvez a outra, a María, fosse a amante, o ser tocável com todos os pecados, todos os desejos de um homem encharcado de hormônios. A Mari era a ternura, era intocável pelas minhas mãos sujas e criminosas, era a mãe que queria ser devorada pelo filho mais novo, que desejava assassinar o pai para deitar com a mulher do pai, com a mãe que já não era mãe. Eram algo distintos e unidos por mim, por pura satisfação. O Demônio e o Deus, o espírito e a carne, o luminoso e o sombrio, o pecaminoso e a pureza. Para o “Soueu!”era apenas uma e não duas.



Escrito por Leonardo Cattoni às 21h42
[ ] [ envie esta mensagem ]



Continuação

Cavei a Mari profundamente em busca da María e não encontrava. Talvez estava bem guardado, talvez não era o máximo da profundidade, mas desisti e voltei com a alma, com as mãos abanando. Talvez a Mari não era nada além daquilo mesmo, mas creio que não, a Mari tinha segredos à nunca serem desvendados por ninguém, talvez nem por ela própria, mas não deixava de tê-los, e os tinha bem escondidos, fazendo-os prisioneiros do que achava ser pecado. Eu (Soueu!) era o seu pecado!

Todos seguem um caminho, todos tem um caminho a seguir, mas nunca sabia qual rumo a Mari seguia e queria, já a María deixava explícito o que queria e no entanto, não a entedia.  A verdade é que estavam no mesmo barco, mas cada uma remando para lados opostos e querendo talvez chegar no mesmo destino.

Não tenho em poder a receita, aliás, não tem receita para tais sentimentos. Vai nascendo, brotando e tornando real no vaso imaginário sendo algo único. Prefiro assim deixar todos os frutos envergarem o pé e caírem já podres(mortos).

Não é com estima que vejo toda verdade trajada de mentiras de seda. O “Soueu!” foi um mendigo de rua subestimado pela sociedade virtual, mas que na verdade obtinha o que nenhum tinha: Princípios em tudo, inclusive nele próprio.

Nada ensinou, porque não era de seu feitio. Não tinha dom de ensinar, mas era um excelente aluno e sugou o que achava útil, de grande valor. Também desperdiçou valores e caçôo de outros.  O “Soueu!” por muitas vezes se achava supremo, superior e em outras, tolo, débil e incapaz. Assim também sou eu, aliás, eu sou o “Soueu!”, mas o “Soueu!” não me é. Se posso criar o que sou e o que não sou, como não me achar melhor que o Leonardo ou do que o próprio “Soueu!”?

Me senti por várias vezes desnudo sendo “Soueu!”, mas em momento algum sentir-me inválido, envergonhado e descrente. Era apenas um instante de medo e solidão, logo o “Soueu!”, que buscava a cura da solidão ali! Senti também ilícito, mas que me era bobagem tal sentimento, porque não haveria sequer uma lei a de não ser o “salve-se quem puder” e volte para o reduto deixando a fantasia no varal de fora de sua casa.

Confesso que dormia trajado de “Soueu!”, acordava de “Soueu!”, escova os dentes, tomava banho, alimentava e se relacionava sexualmente de “Soueu!”.

Deixo aqui, nesse texto, o “Soueu!” e me torno ser Leonardo novamente, mesmo que me haja sofrimento com isso, pois o “Soueu!” se esvaziou, derramando em mim todo o seu passado e toda a sua experiência que inveja os que tem cem anos ou mais. Faço daqui o varal de fora da casa, a lixeira do rascunho que poderia se tornar uma bela estória, mas que por preferência e até mesmo egoísmo, assassino tudo e o guardo comigo mesmo eternamente.

 

Fim

 

 

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 21h40
[ ] [ envie esta mensagem ]



Bobagens

Mari e María, duas, são vc`s duas, eu, Soueu! Não tenho nenhuma, quanto mais duas! Se duas fossem muita, amante não teria e se tivesse, duas, não seria. “Melhor um pássaro na mão do que dois voando” é coisa de gente à toa. O bom mesmo é voar e deixar duas, três ou mais na terra observando-me nas alturas. Fato é banana ser consumida por macaco, mas se tiver macaca, a banana vira sobremesa numa tachada sem mancada.

Bom mesmo é ser cara de pau de trair, de fingir e iludir com todos daqui. ;)

  

( É duro dormir assim e ter que vir aqui, desaguar bobagens para tentar passar o dia mais leve )...



Escrito por Leonardo Cattoni às 10h47
[ envie esta mensagem ]



M.M e o Mundo Novo

Foi em alguma madrugada, onde a insônia possuía-me, fazendo a minha presença ser menosprezível para a cama quente, amassada pelo meu corpo que a moldava de forma a encaixar-me, causando um certo desconforto, que a conheci.

Não me lembro bem qual o dia, mas lembro-me da situação. Apesar dos olhos não se cruzarem, de modo a  não causar nenhuma suspeita, fui jogando palavras de forma a atraí-la e ao mesmo tempo divertir-me.

Não senti nenhum desconforto e prestei atenção na sua timidez. A interpretava com perícia, via as frases que suplicava algo que até o momento não entendia. Naquele momento pude perceber que viraria um novo integrante do “mundo luminoso” e deixaria o “sombrio” dormir no leito que não me aceitava e que agora, sem vingança alguma, também não mais o queria.

Apesar de ter pouco mais de cinco meses esse primeiro encontro, parece que o eterno, o infinito, se torna algo de significado falso, comparado com o tempo desde o primeiro encontro até o dia de hoje. Posso garantir que a conheço há milhões de anos e que a sua presença me faz desconhecer-me cada vez mais.

 Sempre menciono a minha infância, porque parece que não a tive, e hoje parece que sou uma criança perdida no corpo de um adulto. Poucas foram às vezes que me perdi dentro da infância me sentindo criança. Observava os adultos e achava que, por eles ignorarem a minha presença por habitar num corpo tão pequeno e frágil, a “coisa limitada”, o pequeno e o frágil fossem eles e não eu. Admiravam-me por achar que não tinha percepção alguma sobre as suas tolices, os seus erros.

Lembro também que sentia mal por fazer orações antes de dormir, só por fazer. Por ter a certeza que era apenas por descargo de consciência as rezas antes de procurar um sono mais justo e tranqüilo. Comecei a deixar o “Pai-Nosso” e a “Ave Maria” ser algo apenas pro dia seguinte, quando antes de assistir a primeira aula no colégio, as irmãs nos obrigavam a orar. Tudo mudava, ao contrário do da cama, eu rezava com louvor para que a oração não acabasse nunca, pois preferia orar do quê assistir as aulas. Sabia de cor e deixava apenas os lábios movimentando, deixando o pensamento voando e fugindo pra outro lugar.  

Me pegava brincando de castelos, cidades e casas montadas sobre minha cama, era nesse momento que eu tinha a certeza que era uma criança e que nunca pararia de ser uma. Trancava-me no quarto para ninguém assistir àquele episódio vergonhoso para a lucidez que restava em minha alma naquele momento. Sentia vergonha daquilo tudo, ameaçava destruir tudo para satisfazer a ‘moral’ proibida daquele corpo, mas o prazer cobria tudo e continuava ali, ajoelhado no chão, com os brinquedos na mão.

Também me lembro das articulações e ensaios de fronte a um espelho, tentando me igualar, nivelar aos demais, mas confesso ser um péssimo ator e além de sentir um pássaro fora do ninho, provava aos outros que meu ninho estava longínquo e inatingível por qualquer outro.

Engraçado isso tudo, pois me lembro de ter lido em “Ilusões” uma pergunta sobre esse mundo que não pertence a dois seres, mas sim, a um único ser. “Quantas pessoas moram no seu mundo?” A minha resposta, antes de ler a explicação do autor veio de imediato: “Apenas eu e mais ninguém!”,e ele continuou: “Pois só você acorda em uma determinada hora, só você enxerga as coisas como quer. Ninguém vive o que você vive.”

Sim, ele estava certo e até o então me encontrei naquele personagem, me vendo naquela confissão, como se eu fosse o autor daquilo, que ficava guardado em mim, achando que ninguém fosse entender-me.

Aquela criança habita em mim até hoje e por isso talvez acredite mais na criança do quê no adulto e jamais subestimo uma...



Escrito por Leonardo Cattoni às 21h54
[ envie esta mensagem ]



Continuação

...A relação disso tudo com ela é simples: ainda tenho algumas visões daquela criança, ainda sou uma e encontrei com outra, que também habita num corpo de adulto, sendo um inquilino responsável e uma administradora um tanto profissional.

Ela foi me conduzindo a um outro mundo, pelo qual não conhecia. Sem sentir frio, calor, sem ter água ou ar, lá estava, pronto para ouvi-la, como nunca ouvira ninguém. Por ser professora já carregava em si o dom de ensinar, de impor uma devida atenção que meus olhos e mente não a traía. Era um mundo que só habitavam letras carregas de sentimentos, com a credulidade lavando o meu lado ateu e fazendo-me confessar de toda imperfeição cometida por mim. Menti por diversas vezes para mostrá-la, por um outro caminho, talvez um caminho mais limpo, mas claro, mais belo, a verdade.  Curvei-me quando a vi jogando em mim, de forma suave, verdades que não aceitava, mas que no fundo do fundo da minha alma, traía-me com as mesmas verdades que de alguma forma me machucava e tentava salvar-me de todas as trevas.

O culto a Mazar me transformou, iluminando o mundo sombrio, escuro e cheio de incertezas. Não a comparando com ninguém, pois não tem como, já havia por diversas vezes adorado pessoas sombrias para muitos. Sempre freqüentava lugares que para a minha família e sociedade, era algo proibido para um rapaz como eu, que exalava bom cheiro, trajando boas roupas, cabelos limpos e macios. Encontrava-me por diversas vezes, sentado em bares com alcoólatras, com senhores descalços, outros com o corpo que exalavam um cheiro forte, outros sem dentes e que na bagagem de teus espíritos carregavam o que nem um outro de um mundo paralelo carregava. Aprendi com eles o que jamais aprendi no meu lar, no reduto que não mais pertencia ao bom moço. A última vez que estive em Salinas, me tornei íntimo de um senhor e conversava com ele freqüentemente. Ele aparentava aproximadamente setenta anos, e já havia sido preso, pagando com doze anos de cadeia por roubo e tráfico. Numa madrugada dessas que não me recordo bem o dia, entrei na sua casa e fiquei horas conversando com ele sentado numa mesa suja, com uma garrafa de café, e guimbas de cigarros. Confesso que por um instante senti receio de ali estar, apenas eu e ele, já que sabia da sua fama, de seu passado. Mas foi fitando-o e escutando-o, como se estivesse hipnotizado por um olhar sofrido e cansado que aprendi mais uma lição: Todos os atos do ser humano, seja lá quais, tem motivos. Ninguém é totalmente culpado. Talvez a vida fosse, talvez..

Somava mais isso para a repugnância dos tolos da cidadezinha à mim.

Nada mais me intimidava, nem mesmo a condenação de uma sociedade que parecia se distanciar de mim cada vez mais. Desejava encontrar com a Mazar, pois só ela me entendia e aprendia comigo o que o passado a fez esquecer.

Descobri com ela um outro amor, um que não fosse tão carnal. Queria apenas o cheiro dela ao meu redor e o calor percebido pelas minas mãos, nada mais. O sexo estava em um outro plano, num lugar que não nos pertencia até o então, embora os desejos caminhassem com a gente, mas era algo a executar por último, com mais calma, mais cautela, com mais tempo. O tempo sempre era algo pequeno, reduzido pelo desejo infinito.

Descobri a beleza original e deixei de usar a “dança das borboletas” para a conquista.

A perplexidade foi desaguando, e mesmo assim o sentia, e isso era apenas mais uma etapa a encarar com fervor.

Apesar de não encontrá-la em nenhuma, continuarei buscando-a em outro corpo e viverá comigo eternamente, como vive a infância.

 

 Termino com essa frase: “A ave sai do ovo. O ovo é o mundo. Quem quiser nascer tem que destruir um mundo!”

 

 

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 21h52
[ envie esta mensagem ]



Coloco ponto final onde achava ser reticências. Acabou!

Sim. É verdade! Pra não usar a frase dolorosa de Lennon, deixo o título explodir em cacos, de modo ser impossível "remontar" sem rachaduras.

 

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 03h49
[ envie esta mensagem ]



[ ver mensagens anteriores ]