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Recanto no diário vácuo


Nem todo passeio é um divertimento

Eu não sou muito de sair de casa. Fico em casa, a maior parte do tempo. Fico lendo, às vezes bebendo, fumando, fuçando a internet e por aí vai. Faço tudo que uma casa qualquer proporciona.

Mas, esses dias eu resolvi ir ao centro da cidade. Fui a pé. Não vou negar que é distante de casa. Digamos; uns quatro quilômetros até onde fui. Logicamente mais os mesmos quatro pra retornar. O bom é que tem uma rua que se a gente seguir direto, já cai no Centro. Debaixo de um sol, não muito forte, fui seguindo a Rua Carangola que se transforma na Rua da Bahia. Fiquei observando os edifícios e as pessoas. Gosto de observá-las. Observo tudo. Sou um observador e confesso não gostar de ser observado.

O engraçado é que, a mesma rua se transforma em várias a cada passo que a gente dá.

Pude observar que o meu bairro é um bairro de idosos, o que já é visível mesmo se não sair do meu edifício. No meu edifício a maioria é gente mais velha. Vizinhos velhos são chatos. Realmente chatos. Problemáticos e neuróticos. Cheios de mania. Quando encontro com um deles no elevador, eles ficam mudos. Cessam com qualquer assobio, e se tiverem acompanhados, fazem o mesmo. Não sei se ficam me olhando. Não fico olhando para eles. Dou um 'olá' e fico fitando os números digitais que indicam o andar pra disfarçar qualquer constrangimento que os causo. Creio ser isso. Cheiro a cigarro, tenho tatuagens e isso deve incomodá-los bastante. A minha vizinha, do segundo andar, é jamaicana. Quando soube fiquei mais tranqüilo. "Deve ter outra cabeça"- pensei. Já senti um cheiro forte de maconha vindo de lá. Mas ela é muito discreta e também uma senhora. Maconha pra ela deve ser como café pra mim.

Voltando ao assunto; eu segui a rua do meu bairro indo ao Centro. Cheio de idosos e de gente que mal nos cumprimentam. Também não faço questão nenhuma de cumprimentá-las. Cidade grande tem dessas coisas. Sou mais um e isso não é ruim. Ninguém liga pra onde vou, quem eu sou e de onde vim.

Indo para o Centro na rua que já não é mais Carangola, tem um elevado, com edifícios belos, mas quando se chega ao topo da rua, obviamente ela começa a descer, e de lá a gente já avista o Centro. Começa a aparecer mais pessoas. Pessoas aglomeradas e o pior; feias. O Centro é um lugar horrível, confesso. Os edifícios são feios, uns parecem que foram abandonados. Tem até um edifício que foi interditado pela prefeitura há muito tempo e o batizaram de "Balança, Mas Não Cai". Se cair a prefeitura está na merda com tanta indenização, já que por ali tem um grande número de pessoas passando e vários pontos de ônibus. Mas creio que a prefeitura não seja tão besta. Ficaria mais barato se o demolisse e atropelasse com toda a burocracia.

No Centro a gente presencia pessoas feias, mal-humoradas, apressadas, que a todo instante estão trombando na gente. São inconvenientes. Aumentei o meu passo para não atrapalhar o tráfego, mas sempre tem uma ou outra que fodem com tudo. Andam como se estivessem passeando pelo shopping. Desfilando com trapos numa passarela sem holofote. Eu também estava passeando, mas não acho que o Centro seja um lugar para passear, e pra falar a verdade esse meu passeio não teve cara de passeio. O meu destino era uma livraria e um lugar pra comprar cd’s virgens.

Olhei alguns livros e comprei os tais cd’s...



Escrito por Leonardo Cattoni às 18h56
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Segunda Parte

Voltando, eu continuava a observar. Agora estava indo para um lugar melhorzinho, o que de certa forma me animou bastante. Ficar livre daquele Centro é muito bom. Queria me livrar daquilo o mais rápido, mesmo porque continha em mim um receio qualquer de ser assaltado.

Entrei num boteco desses do Centro e pedi um maço de cigarros. O lugar não era dos mais agradáveis. Havia pessoas sentadas, bebendo sua cerveja e comendo aqueles trecos gordurosos com a mão brilhando. "Eles são felizes"-  pensei.

Quando já estava perto do meu bairro eu encontrei com um conhecido do tempo de colégio. O cara é alto e muito gordo, e chama Fausto. Com isso vocês já perceberam que ele serviu mesmo de chacota na época de colégio. Era comparado o tempo todo com aquele cara chato da tevê, que vive adulando os convidados. "Vem aí o melhor cantor de todos os tempos. O cara é fera." Toda gente é fera e o melhor do mundo para o apresentador. 

Ele ficou me encarando, vindo em minha direção. Pensei: "Puta que pariu, lá vem o cara da época do colégio." Poucos são os que me entusiasma com suas presenças. Quando essas pessoas que não desejo mais ver, aparecem do nada, me sinto mal. O lugar com elas fica lúgubre, sei lá. Elas trazem recordações nada agradáveis e logo penso: "Ela ainda está viva?" É que pra mim algumas pessoas já morreram e foram enterradas.

Não era de conversar na época do colégio. Eu sou e era muito calado, reservado, principalmente quando estou sóbrio.

Ele me olhou, ameaçou parar, mas eu não parei. Passei direto e balancei a cabeça, um gesto que encontrei de cumprimentá-lo sem perder meu tempo. Ele continuou parado, querendo puxar algum papo, sei lá, mas não lhe dei tempo pra isso. Não dei chance a ele. Mostrei-me extremamente apressado. Fiquei com vontade de olhar pra trás, mas achei que o melhor era seguir direto. Depois disso me vieram pensamentos. Tive a impressão que ele era um pederasta. Ele levava jeito. E comecei a recordar do nosso tempo de colégio. Ele nunca mencionou sequer uma guria. "O Fausto era um pederasta desde pequeno e ninguém sabia". ( Espero não chocar com isso os estudiosos do comportamento sexual, que dizem que a pessoa já nasce homossexual )...

Podem pensar que fui um tanto precipitado, mas ele leva mesmo jeito. Aquele sorriso e boca-mole, todo entusiasmado de me ver, não negava. Eu já encontrei, depois de anos, amigos da minha infância que se assumiram. Mas o Fausto não era de um passado tão distante. O que me causou surpresa.

Quando avistei meu edifício fiquei feliz. Estava salvo novamente. "Home sweet home"...Se eu estiver triste ou puto com alguma coisa, já sei que é só tornar ir ao Centro, para ter aquela sensação boa novamente de quando se chega em casa.

Liguei o computador e comecei a gravar umas canções. Lembrei do Fausto, das pessoas feias do Centro maldito e dos meus vizinhos, e pensei: "O melhor mesmo é ficar dentro de casa".

 

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 18h51
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Ele tem que ser inocente!

O último homem não pode ser incriminado. Pode o filho, que herdou um gene da mãe e que trilhou caminhos diferentes, mas ele não.

Nossa última esperança não pode evaporar, não pode ser dilacerado, não pode se desbotar como uma foto exposta ao sol durante tanto tempo, não pode se despedaçar como um pão dormido que é cortado e vira farelo. Arnaldo Jabor disse uma coisa certa: "Se Lula for culpado, estamos ferrados."

E apenas duas palavras, que tanta a oposição tenta pescar, como se fosse o último peixe do lago quase seco, que beira uma aldeia que vive da pesca, que podem aniquilar com a nossa esperança. A nossa última tacada pode passar longe do alvo se Lula disser "Eu sabia". Se o "Eu sabia" for pescado da boca do presidente, o rumo dos nossos sonhos mudará. O sonho passará a ser pesadelo. Em quem mais confiar? Em quem mais acreditar? Aquele homem que veio de baixo, que veio da maioria, representando os homens que alimentam sua dignidade com um salário insignificante, que causa indignação apenas neles próprios; aos heróis que não estão nos Quadrinhos, aos heróis que não recebem medalhas, aos heróis sem méritos, que não herdam reconhecimentos no exterior de seus tugúrios.  Esses heróis, com a magnanimidade amputada, já teve Lula ao lado, de carne e osso, cheio de idealismos. Esse homem que representou o cidadão brasileiro, que fez brilhar centenas de olhos com seus discursos claros e óbvios para um povo que queria apenas MUDANÇA. Esse homem que foi a voz, o tradutor de um povo intraduzível pelo sistema que não fala português, que não escuta balbucios daqueles que passam fome, que não entendem o frio cortando um corpo desnudo daqueles que não tem teto. Esse homem, que foi um brasileiro pedigree, agora não é um de nós? Esse homem que cumulou esperanças, fé nos quatro cantos do Brasil, como se fosse um Santo vivaz, se ajoelhou agora aos pés de Lúcifer? Aquele homem que ganhou nossa confiança, agora é um traidor?  O impeachment virá como um furacão. Fará de nosso país um lugar profano. Um deserto infestado de homens que descartarão qualquer verdade crendo ser apenas uma miragem. Lula deve e tem que ser, mesmo que seja o único, inocente, caso contrário, plagiando Jabor, "estaremos mesmo ferrados!"

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 00h32
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Leriam qualquer coisa

Bem; não tenho nada a escrever. Estou mesmo vazio. Não sei onde derramei o meu conteúdo ( se é que o tinha ). Aliás, pra falar a verdade, não me nutri de nada nesses últimos dias. O motivo é esse. Sinto-me frívolo para esse site. ( como se fosse um site útil para os internautas )...Não consumi nada a não ser um livro, e comentar ele não me é prazeroso.

Cheguei a minha casa hoje, há pouco tempo. Deixei a mochila no chão do meu quarto e fui tomar banho. Cobri-me direito depois do banho porque aqui está um frio de matar e fui alimentar qualquer coisa. Depois da refeição me deu uma imensa vontade de fumar. Lembrei que o cigarro havia terminado na volta, mas que no meu cinzeiro sempre têm fartado tocos de cigarros. Impressionante, mas como eu fumo cigarro de palha, ou aqueles que a gente faz com fumo e tal, eu sempre tenho grandes sobras nos cinzeiros. O impressionante é que quando a gente tem um maço, ou mesmo muito fumo, a gente os assassina ainda em grande quantidade que só é percebido na falta de maço, dinheiro ou fumo. Os tocos são demasiado grandes. Dá pra gente dar diversas tragadas. A gente se diverte com os tocos na falta de um maço.

Foi quando eu cheguei ao cinzeiro, que fica no meu quarto, e não vi nada. Ele brilhava. Estava limpo, sem nada. Cinzeiro virgem, desmatado, nu e sem vergonha! Uma vontade de xingar minha mãe mesclado com uma saudade de conversar com ela. Mas, como conversar sem fumar? Como contar os acontecimentos que já se tornaram saudades antes mesmo de pisar aqui, sem tragar? Lembrei que tudo já estava fechado. Já passava de dez e meia da noite e aqui por perto não tem nada aberto numa hora dessas. A preguiça me tomava conta. "Deveria ter um 'Drive-Thru' pra comprar cigarros"-pensei. Só assim eu poderia comprá-los. Ficaria de pijama, entraria no carro e compraria. Poderia fazer que nem um conhecido, que pede sanduíche quando está com preguiça de comprar cigarros e junto pede um maço.

Mas não, não tinha fome e nem dinheiro para o sanduíche, e pedir isso minha mãe não seria bom. Ela odeia me ver fumando e não patrocina esse meu vício.

A vontade de fumar venceu a preguiça e eu fui comprar há quinhentos quarteirões daqui de casa.

E agora estou eu, fumando e escrevendo. Conversei com a minha mãe fumando e como ela estava com saudades, não me censurou com o cigarro que me encharcava de volúpia.

Um brinde ao cigarro, as tragadas e a vocês por aturarem esse texto que nada tem a dizer, a não ser a sensação boa que eu tenho de arriscar morrer de um câncer. Mas entendam uma coisa: morreria de infarto hoje se não fumasse.

 

( Sempre tem uma bostinha pra postar, impressionante! )...

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 00h19
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Resgatando a única esperança

Foi com Wilhelm Reich que concretizei o que já tinha certeza: que crianças são mesmo enfeites, servem para serem admiradas apenas pelos olhos e pela alma aniquilada dos adultos. Lembro-me até hoje dos narizes pontudos. Dos orifícios nasais peludos. Das pelugens na face. Das competições decretadas tão discretamente. Das mãos grandes que maquinalmente alisava minha cabeça. Fazendo um eclipse no meu crânio com mãos tão grandes. Eu sempre tão presente e ausente ao mesmo tempo. A minha imagem nunca conciliava com todas aquelas construções. Construções íntimas, convenientes e subestimáveis. Até hoje é assim. Nunca queria extrair, roubar atenções. Roubar atenção de um adulto não era coisa boa. Sempre a roubava quando cometia um acidente, e me puniam severamente por isso. Preferia então passar despercebido e fitá-los. Fazer estremecer um barulho de dúvidas, censuras e acusações no meu íntimo. Carregar sozinho, num corpo tão pequeno e frágil, todas as acusações silenciosas e inválidas. Não me sobrava extravasar opiniões e se ameaçasse desprendê-las eu morria afogado de deboches. Eu era sempre tão censurado! Como se eu não fizesse parte daquele mundo convencional e surreal. Eu era uma mancha na sujidade. Estava mais próximo da extinção do que da saudosa mocidade. Fui ejaculado pra ser homem feito. Fui ejaculado pra fazer uma travessia na construção de homens sem piedade. Era bajulado no silêncio, na solidão e queria estar com todos eles nas reuniões, nas comemorações que assassinavam no dia posterior qualquer recordação que nunca existiu.

Foi quando eu me vi sendo felicitado por homens que eu abominava. Foi quando eu servia para dar conselhos aos que me mendigavam. Foi quando eu entrei nas casas dos homens e servia-me de bebidas que antes eram postergadas pelo meu paladar tão infantil e de bom gosto.

Transformei-me neles num piscar de olhos. Adquiri pelugens na face e desfilava, como um servo, para um mundo que nutria da desgraça alheia. E eu buscando uma aprovação qualquer. Continuava na corda-bamba, não podendo vacilar.

E hoje, quando vou buscar meu irmão de três anos na escola eu volto ao passado quando deparo com o teu olhar pelo retrovisor do carro. As músicas vêm à tona quando começo a anunciá-las na tua presença. Cantamos juntos e de repente ele as cessa e me fita. Às vezes me fita com boquiaberta e me sinto um tanto incomodado. "O que será que ele pensa?" Calo-me da mesma forma e corro olhares nos seus, sem pousar naquilo que tanto me incomoda. "Será que me acha também um adulto tolo?" Ele é de uma inteligência fora do comum. Essa tecnologia o avassalou. Não conhece o Homem-Aranha que eu conhecia. Ele conhece o Spider-Man. Manuseia melhor do que eu o controle-remoto do DVD. Ensina-me a fuçar no Celular, me fazendo achar as funções que meu cotidiano não carece. Talvez pra ele sim. Pra ele é muito útil aquilo tudo. Leva-me com mãos dadas aos brinquedos arquitetados pela imaginação fértil que se torna tão fútil pra minha percepção corrompida pelo amadurecimento tão imaturo.

As crianças não podem ser subestimadas! Elas carregam a sutileza que tanto nós, homens, buscamos. Sejamos crianças, mesmo esquecendo a linguagem no passado vizinho. Carreguemos as crianças e cantemos o que não escutamos quando a mais bela canção toca sem nos tocar. Não as deixamos mais observar os orifícios nasais durante tanto tempo. Olhemo-as da mesma forma que olhamos para o sexo oposto e gozemos sem nos tocar. Estudemos o que já esquecemos.

Ser criança é ser imparcial num mundo tão maligno e desigual.

Sejamos, nem se for de vez em quando, e fazemos das crianças parceiros de uma sociedade sem agremiação corrupta.

  



Escrito por Leonardo Cattoni às 23h14
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Luto sem luta

Ontem eu me surpreendi quando fui visitar um Blog de uma amiga. Deparei com um tal de "LUTO". Diz ela que está de luto por causa da situação atual do país.

Eu não sei se o luto dela e dos amigos irão comover o nosso Presidente, mas em todo o caso faço o mesmo aqui. Não me atrevo a colar o mesmo porque o "Mensalão" sempre existiu. Aliás, nunca foi mensalão, sempre foi e será diarão, semanalão, como diz o meu querido Millôr Fernandes. Também não acredito em nada disso. Esses negócios não são pra mim. Boicote então, nunca foi a minha. ( imaginando um boicote contra o nosso Estado )... O que ficaríamos sem consumir? Quais produtos fariam parte dessa guerra comercial? Ok! Não iríamos comer soja, tomar café, chupar cana de açúcar e nem se lambuzar com os nossos chocolates Garoto. Mas espera! A Garoto agora é da Nestlé! Ah, então Garoto a gente pode comer. Não confundam com Garotinho! Apenas um Garotinho daria uma diarréia fora do comum! É só ver a cagada que fizeram no Rio.

 

De qualquer jeito eu também estou de LUTO.

Vou gozar férias!

 

Visite o http://ascartasdeelise.zip.net/ e leia a carta ao Presidente.

 

 

 

                                       LUTO,sem luta!



Escrito por Leonardo Cattoni às 00h00
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Encarando a Morte com prazer

Eu sempre achei que o Nascer é o filho caçula da Morte. De fato é! O Nascimento é a Morte em feto. Aliás, o feto já é um morto prematuro. O esperma é o nascimento da Morte. A Morte gera Morte! Nunca a Vida gerou Vida. Eu não estou vivendo, eu estou morrendo a cada instante. Vivo para a morte! A morte é a única que sabe esperar, e me espera deitado na sombra. E agora eu morro mais depressa. Sim, estou morrendo muito mais depressa. Apertaram "FF" do controle, como fazem com o filme vulgar que passa no vídeo.

Engraçado dizer isso, mas sabe o que é? É que agora encontrei a carne podre que exala odor fresco. Sinto a pele ainda quente. Encontrei olhos parecidos a uma jabuticaba que me fitam e ficam roxos em volta quando não deitam. Encontrei o sexo pedindo para morrer. Sinto-me vivo, mesmo sabendo que já sou um morto jurado.

Ah, como a Procópio me faz morrer depressa! Ela me rouba uma semana. Uma semana roubada por ela. Assassino uma semana em um encontro. É como se eu pegasse um calendário e rabiscasse todos os dias da semana e deixasse apenas o sábado e o domingo para comemorar que estou morrendo.

A Mazar nunca me roubou um dia. Talvez me roubasse horas. Mas como disse: eu nasci para morrer. Eu encontrei-a para despedir um dia. Mas será que despeço? Não, ela continua aqui, dentro de mim e será enterrada junto da carne ainda fresca. Com ela eu sentia a morte aproximando lentamente porque sempre a encontrava diariamente e nunca esperava tê-la em meus braços. Tanto aqui quanto acolá. Tanto em mim, quanto nela. O abstrato tem validade longa, mas apodrece na prateleira. Prefiro consumir o que vejo, o que toco, mesmo enfadando.

E agora eu morro mais depressa. Como mudei! Trancafiei-me antes num escuro e achava tudo claro. Forçava a minha visão míope no escuro e achava enxergar alguma coisa. Ver e não tocar é um despotismo oculto que nos ferem muito.

De um lado a ternura da Mazar, do outro o oposto da María. A esposa e a puta. A geradora e a assassina. As duas em uma me fazendo matar ( gozar ).

A María era aquele furacão, que nascia no céu e morria na terra, de tão imenso e belo. Corria em minha direção e me deixava contemplando-a, sem me preocupar de procurar proteção. Hipnotizava-me. Mas nunca me arrastava. Passava distante de mim e eu parado, desejando ser devorado por aquilo tudo.

A Mazar não era nem vento, mas me soprava pro alto. Atropelava-me com sua sutileza.

E agora encontrei as duas numa. A puta e a mãe me envolvendo em dois braços e abraços. O pecado exalando inocência. O bem e o mal me servindo de prazer.

Tudo contrabalanceado. Mas até quando vai ser assim? Não quero saber e nem busco resposta. Sei que um dia não será mais assim, mas até lá eu já terei escrito milhões de textos iguais a esse, mudando apenas os personagens.



Escrito por Leonardo Cattoni às 00h43
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Renascimento em morte

O assoalho da sala rangia alto no silêncio daquela manhã.

Era o filho com os pés nus e sórdidos que vinha ao encontro da mãe com uma caneca na mão.

Papai pediu mais. - disse o menino.

Aquele velho só me causa trabalho! - resmungou a mulher.

Pegou o leite morno de cima do fogão a lenha e derramou com má vontade na caneca com bordas de sangue.

-Leve para o velho, e suma da minha frente, filho ingrato! – Gritou, dando tapas na cabeça do menino.

-Pediu biscoitos também – balbuciou o menino fixando o olhar no chão batido a cimento.

-Ainda se atreve a pedir biscoitos?! Velho desgraçado! Faltam-me os ingredientes. Se tiver fome que beba todo o sangue derramado!

A mulher raquítica lavava as roupas na bacia e preparava no fogão pedaços de côdea com feijão dormido.  

“O velho e as camisas com sangue. Que vá para o inferno!” - pensava a mulher.

A mulher lavava as únicas duas peças do vestuário do marido. Olhava para os lados e as aproximavam do nariz. Fechava os olhos e tragava ardentemente com o olfato. Era um ritual que sempre fazia quando lavava as roupas do marido.

Escutava as tosses de longe. Tinha vez que pensava ser a última expiração.

“Não passa de um tísico e ateu o infeliz!” – pensava novamente a mulher.

A morada era pequena e simples. Do interior se via as telhas com orifícios, dando pra ver pedaços do céu.

O menino vivia aos arredores do casebre, brincando com as sucatas da oficina que ficava ao lado.

A mulher lavava, cozinhava, cuidava da casa, do filho e do marido doente.

“Sou heroína, é?! Só porque cozinho, lavo e passo trouxas de roupa? Se eu te matasse eu seria uma heroína que tanto clama.” – a mulher sempre pensava isso.

O marido a chamava de heroína e ria sarcasticamente, no meio das tosses.

Quando são vivia no bordel. Chegava tarde da noite, ébrio. Humilhava a mulher e às vezes até a batia. E dizia sempre não acreditar em Deus.

Mas agora era um doente. Vivia na cama, mas mesmo assim não havia perdido a grosseria.

À noite, quando ela ia dormir, fitava o marido dormindo e deitava as pálpebras, ainda de pé.

-Tome cuidado velho infeliz! A coberta está novamente encharcada de sangue!-disse a mulher já deitada.

-Não exagera velha desgraçada! Não passo de hoje! Verás!-gritou no meio das tosses o marido.

“Que Deus o escute!” - desejou consigo a mulher.

No meio da noite o marido a puxou pelo cabelo, aproximando de seu ouvido, disse com a boca manchada de sangue: “És uma velha desgraçada, porém heroína. Tenho na mão o que guardo no coração. Peço-lhe que me veja partir para se vangloriar.”

Voltou docilmente para o mesmo lugar de antes, onde ficou parado feito estátua.

A mulher fitava o defunto com um olhar tristonho, sem lágrimas.

O velho que era pálido adquiriu cor, a barba pareceu ficar amparada, o cabelo pegou brilho e não havia mais mancha de sangue nos lábios.

A mulher contemplava-o, como quando eram noivos. 

Na mão do defunto havia um papel amassado. Pegou com custo o papel do defunto e desdobrou. Em garranchos dizia: “Irei para nascer outra vez. Nascerei em teus sonhos, em tuas lembranças o que nunca fui quando em vida. Amá-la-ei mesmo longe, porque repartirei do teu amor e levarei comigo um pouco dele. Hei de voltar contornando-os para lhe buscar, porque és uma heroína e o SENHOR necessitará da tua ajuda para ‘cevar’ homens feito eu.”

 

( Leonardo Cattoni- fevereiro/2003 )



Escrito por Leonardo Cattoni às 01h44
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Epílogo de uma outra vida

Passava da meia noite e meia quando o telefone tocou. Era o primo chamando-o para sair. Como já se encontrava de pijama, deitado no leito, hesitou. Meditou e se colocou de pé como um soldado ordenado por um superior incompetente.

Colocara uma calça, um coturno, um gorro e um agasalho. Tudo por cima do pijama.

Pensara que era apenas para entorpecer com o primo e jogar conversa fora, já que vinha fazendo isso desde muito tempo. Por isso foi assim, desprevenido, como se o interior do carro fosse o único cenário daquela noite.

Esfumaçaram o cenário, beberam uísque e rodaram pelas ruas da cidade, observando as cenas que já eram de costume em finais de semana. Tudo a mesmice!

Avistaram o bar que ele freqüentava e ameaçaram parar. O primo eufórico parou e desligou o motor. Do outro lado, ele apalpou os bolsos como se o alertasse que realmente estava desprevenido. O primo balançou a cabeça, sorriu e saiu do carro.

Entraram no bar e se dirigiram ao balcão para se apoderarem de cervejas. Inscreveram-se para participar do bilhar e ficaram de pé. Na espera de serem convocados ao jogo eles bebiam, observavam com desvairo e riam.

As pernas cansadas traíam-no e então começou a procurar assento no meio daquela multidão. Avistou o lugar de costume e sentou-se. Escutava com atenção os balbucios das mulheres que o rodeavam. Ameaçou intrometer e o fez. Trocaram palavras e apresentações. No meio daquilo tudo uma se sobressaiu, chamando tua atenção. Solicitou mais cerveja ao garçom e serviu ardentemente a mulher que o interessava, despejando cerveja em seu copo, num ato de se vangloriar. Era o máximo que lhe proporcionava.

Chegara à hora de jogar o bilhar na companhia do primo. Deixara a garrafa ao lado da mulher com o ensejo de ali regressar.

Jogara com desgosto, pois sua atenção voltara inteiramente, sem desperdício para a mulher. Os olhares se encontravam e esquecera do jogo. A mira estava longe daquela mesa. A caçapa era a mulher com seus olhares passeando na busca de encontrar com os seus.

Perdeu o jogo com vitória. Retornou ao local e trocaram palavras. Descobrira ali que era uma atriz e que na mesma semana iria atuar numa peça teatral.

Gravou na memória fracassada o nome da peça. Trocaram telefone, carícias, beijos e se foi...

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 21h52
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Epílogo de uma outra vida II

...Na mesma semana, sem hesitar ligou para a mulher. Não a encontrara.

Foi na peça, sem nenhum adorno que costumava usar na cabeça por respeito. Mas, deparou com inúmeras pessoas trajando bonés, gorros e se viu como um parvo.

Sentou-se na última fileira pra não arriscar ser percebido. No primeiro instante, como era de esperar, aplicou o espírito fixamente nela, esquecendo subitamente do conto.

Depois, mais tarde, começou a observar o cenário, mas não se esquecera em momento algum que ela estava ali.

Quando acabou, aplaudiu, ameaçou não levantar diante toda aquela iluminação no lugar tão pequeno e levantou-se somente para deixar o local.

Já lá fora, a esperou com ansiedade. A demora dela o martirizara. Suava, fumava e agitava as mãos.

Sofreu castigo com a demora, e por fim se deparou com ela, a última a deixar o local.

Encontraram-se e trocaram poucas palavras. Não houve carícias e se despediram.

Foi-se tristonho e inexorável consigo mesmo. Pensara ali nunca mais procurá-la.

No dia posterior recebeu um e-mail dela. Mostrou no texto uma insignificante preocupação por parte dela, de não ter correspondido às expectativas que ele demonstrara esperar.

Passaram alguns dias e tarde da noite o telefone tocou. Era ela. Ficou um bom tempo ao telefone. Marcaram um reencontro que foi desmarcado por ela mais tarde. Depois ela tornara a marcar.

Com receio de não suprir suas expectativas, ela recusou ir ao lugar sugerido por ele.

Queria um lugar próximo de tua casa, para facilitar, caso arrependesse de algo, o retorno ao refúgio.

Ao encontrar com ele, ela mostrou certo entusiasmo e decidiu ser conduzida ao lugar que ele desejava.

Beberam, conversaram e trocaram carícias. Ficou até mais tarde juntos.

Na porta da casa dela estacionou o carro, junto com toda a excitação. Nascera de novo. Nascera outro ali.

Desejara agora sumir, abandoná-la e assim o fez.

Duvidava de si próprio com demasiada facilidade de tocar a intimidade da mulher desejada. Rompera todo o castigo ali e necessitava punir-se para sentir prazer na conquista ainda não conquistada por si próprio. Broxou. Buscava a imensidão no limite arquitetado por ele. Era imenso pra si tudo aquilo. Guerreou consigo mesmo.

No dia seguinte escrevera, descarregando o que não poderia ser compreendido por mulher nenhuma.

Era por isso que ele admirava com ardor os homens. Os homens eram mais interessantes e mais perceptíveis nesse assunto e em muitos outros do que as mulheres. O mundo dos homens era sem dúvida mais rico, onde se desprendiam de picuinhas...

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 21h51
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Epílogo de uma outra vida III

...Romperam-se. Cessaram com telefonemas, e-mails e se esquecera dela.

Meses depois, já tarde da noite, onde trocava palavras com amigos na calçada de uma rua, ébrio e entorpecido escutara uma voz chamando-o pelo nome. Era ela.

Ficou pálido e correspondeu com uma voz fraca, enfraquecida pelo sobressalto que sofrera.

Por alguns instantes ficara excitado e cessou naturalmente com a excitação.

No dia seguinte foi interrompido pela imagem dela por diversas vezes. Assassinou-a de vez e seguiu o dia sem ser surpreendido pela imagem.

Na mesma semana ela o procurou. Marcou um encontro com ele. Sem nenhuma exaltação ele aceitou encontrá-la.

Ela voltara diferente: fumava, mostrava-se inquieta, extremamente falante e se entorpecia também, assim como ele.

Trocaram assuntos e carícias até o sol levantar.

Passou a semana trocando recados e e-mails. Foi num desses que ele escreveu que gostava dela não pelo que ela era, mas sim pelo que ele era quando com ela. Isso a instigou e novamente se encontraram.

Nesse encontro ela se chamou de burra por diversas vezes em voz alta e recusou a beijá-lo.

Eram pormenores que a intrigava e passou a interpelá-lo com tolices. Ele se entregara de modo peculiar e ela não entendia, e novamente o interrogava. Ele já não tinha argumento. Não se tem argumento para o óbvio. Era aquilo que ele demonstrava e pronto. Ela escondeu a injuria, como se esconde uma ferida na pele macia e o beijou.

Sentiu necessidade de aniquilar com quaisquer jogo de sedução e findou com o sarcasmo que banhava sua face. Era um título que ele carregava consigo mesmo por defesa e então beijou a testa dela, fitando-a com seriedade. Aquilo foi o ápice de uma entrega pra ele.

Despediram-se e ele carregou a certeza de que nunca mais a viria.

Se perguntarem por que, não terão resposta. Eu posso dizer que ele morreu no caminho de volta, pra viver eternamente com ela.

 

 

 

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 21h49
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Pra que memória?

"A memória é um buraco. Nele tudo se perde. De agradável, de desagradável, de indiferente. Esquecer um aniversário de um parente próximo é chato. Um ligeiro mal-estar, explicações, depois passa."

Concordo com Ivan Lessa. A memória é mesmo um buraco que engoli tudo e deixa o ontem ser sepultado pelo hoje de maneira cruel. O ontem ainda respira, mas ninguém mais o quer. O hoje já é assassinado pelo amanhã que teima em nunca chegar. Jornais da manhã de hoje se transformam em utensílios domésticos na tarde da mesma manhã para luzir janelas. Os de ontem já voltam reciclados com sangues renovados de uma guerra que ainda não foi declarada.

Guardo boas lembranças, e péssimas também. E as péssimas têm mais espaço dentro de mim. Não sei por qual razão. A desgraça que se preza não se interessa por nomes, mas sim por números que vão perdendo valor.

Já disse que números não são pra mim. Datas, por exemplo, não entram na minha memória para serem arquivadas. O buraco consome tudo como se fosse um Tufão; que suga as coisas e as jogam longe, já deformadas, sem valor. Às vezes acho que isso é uma virtude que tenho. Datas são coisas chatas, sofríveis de serem guardadas quando o presente não é valorizado por ninguém. Não é bom mesmo se prender a nada disso.

Estou com mania de esquecer nomes também. Sou um ótimo fisionomista e isso não é bom quando não se guarda nomes. Reconheço o cidadão, mas não lembro o seu nome. Mas saber que ele fez parte de meu passado já me é uma grande vitória.

Tudo vai desvanecendo-se de acordo com o novo que nos consomem, nos empurrando contra ele mesmo, pra nos deixar de herança os seus descendentes que já foram batizados antes mesmo de nascerem. Compram-nos sem nos deixar estipular a quantia. A quantia é a curiosidade. Somos curiosos e queremos enterrar o velho para explorar com veemência o novo. Mas aí tudo se repete. Um ciclo de demência. O mesmo entusiasmo da coisa velha quando era nova se repete na coisa que será assada pelos segundos que correm contra a gente sem pedir licença, atropelando o entusiasmo que tem mais vida que um gato que não sai do quarto. E muita notícia nova vem repetida: "Morreram 35 pessoas no Iraque hoje."

Pra falar a verdade eu nem sei por que estou aqui. Culpa da memória! Nada me entusiasma mais. O computador está virando sucata. E como não sou mais uma criança, deixo de ver graça nas sucatas. Não ligo a televisão já faz dias e não sinto falta. Tudo está perdendo valor pra mim. Talvez tudo seja muito exagerado para o entusiasmo que não tenho. Como explorá-los? Ou seria o contrário? Tudo indiferente? O pior que o "ligeiro mal-estar" se transforma num contínuo entusiasmo de não possuir entusiasmo.

Sim, estou super entusiasmado de não ter mais entusiasmo com nada. O novo parece que chegou de supetão e está me devorando. Estou muito mais leve. Uma pena não ter inventado ainda uma balança para medir o meu interior. Estou susceptível a modernidade que avassala no meu (in)consciente.

Aí eu me pergunto: "Pra que memória?"

 

"Sobreviver é esquecer. Esquecer um pouquinho, mas esquecer. Num mundo ideal, a política e sua extensão natural, a guerra (parafraseio von Clausewitz), seriam lembrança vaga sem deixar conseqüência mais grave do que alguns livros, fotos, filmes e documentários de televisão. Infelizmente, a vida não é assim."

 

 

 

 

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 21h54
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Agora o "olé" é meu!

Até que enfim escrevi algo que me deu retorno! O Texto "Olé!!!" brotou comentários novamente no meu e-mail. Foi recorde! A minha tristeza é que alguns foram tão profundos que eu, com tamanha tolice, não alcancei nenhum entendimento, nenhuma interpretação. Não soube nem respondê-los. Passei meu sábado trancafiado, diante ao computador, tentando entender algum e-mail. Gastei toda minha energia e por isso eu não tive alguma para gastar em algum boteco nesse final de semana. Uns me chamavam de burro, apenas. Quanta profundidade! Devo continuar aqui com a minha casmurrice.

Todo mundo sabe que o Roberto Jefferson não é nenhum santo. Não é flor que se cheire. Não disse em momento algum que ele era um santo no "Olé!!!". Gostaria tanto que fosse um texto sumário.

Para os comentaristas que gastaram tempo meditando pra poder mandar-me e-mails criativos, o Jefferson é ladrão. Políticos pra eles são apenas ladrões, nada mais. Se eu contar aqui que conheço muito político que se prejudicou financeiramente depois que entrou na política conseguiria eu, mais e-mails? ( risos ).. Pois conheço, muitos!

É claro que tem gente que faz e fez fortuna através da política. Prova maior está entre nós, que residimos em Minas Gerais. O nosso governador é um exemplo de como fazer fortuna através da política. Mas isso é uma outra história!

Os mesmos que me chamam de burro e tratam todo político de ladrão devem também resumir a trajetória política de Getúlio Vargas apenas na entrega da pobre e coitada Olga ao Hitler. "Quem foi Getúlio Vargas?"-"O 'fdp' que entregou Olga aos braços de Hitler." Mas a maioria dos trabalhadores que têm suas carteiras assinadas não sabe quem foi Olga e nem tampouco quem criou os malditos direitos trabalhistas, que hoje, servem também para quebrarem pequenas e grandes empresas. Existem sugadores devido ao Getúlio Vargas. Devem achar também que o número divulgado das mortes dos judeus uma verdade. E olha que eu pensava que era coisa de comunistas e judeus. Seriam os mesmos a me chamarem de burro?

Pra falar a verdade eu não gosto de judeus. Eles se apegam ao Holocausto pra serem pobres coitados e com isso extorquirem dinheiro nosso. Bem; creio que eu não dei um centavo diretamente. Já indiretamente, provavelmente sim. Qualquer status de vítima usado em qualquer raça me causa repugnância. Sou mesmo um impiedoso, caro leitor.

Causam-me repugnância também os meus leitores. Ou seja; estou com vocês!  Não estão sozinhos contra nada. Eu sou um anarquista besta, que não sei derrubar um governo e que quando escrevo sobre um coitado que foi usado injustamente, os leitores se rebelam de maneira cretina. Como eu, no meu Blog.

Já percebi que não devo escrever textos piegas. Não dá retorno algum a mim isso. Mas, confesso que, quando escrevo essas tolices piegas estou direcionando apenas a uma leitora, e não ao resto. Ou seja; leram de tabela!

Estou acumulando belos e-mails de comentaristas do "Recanto", para num futuro breve selecionar os melhores e postá-los. Será o texto mais cômico postado por mim, sem dúvida alguma. Eu me divirto com todos vocês e espero retribuir.

O bom disso tudo é que eu, como escritor de um simples Blog, não sou sujeito ao cânone. O meu Blog não é nenhuma lucubração de sentimentos ou fatos pessoais. Minha vida sentimental não interessa mesmo a ninguém. Aliás, minha vida é minha. É o meu íntimo, e se expor aqui passará a não ser mais. Felizmente aqui eu sou soberano. Estou quase literalmente ( falta muito pouco ) cagando e andando pra todos vocês. Talvez eu fale mesmo sozinho, no meu Recanto. Derramo aqui o que acredito e o que ninguém pode me roubar. O Blog é meu!

Direito é direito, e eu também quero o meu! Como brasileiro, como humano e agora como um blogueiro!

Não me sinto coagido em momento algum a manter uma certa coerência no que escrevo, como já li e vi em milhares de outros Blogs.

É o que eu sempre falo: O buraco é muito, mas muito mais embaixo. Mirem!

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 01h24
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Vulgaridade

Não, Teresinha não é para Leonardo. Poderia ser para José, mas ele se apaixonou pela donzela, que era Maria. Mas, também tem outro José na estória, mas ele ninguém quer. Ele está sem mulher, está sem discurso e está sem carinho. Assim nem Teresinha o quer. Mas, tem o João que parece amar a maldita Teresa que não é Teresinha, e se fosse, amaria Raimundo que ama Maria e me deixa sem saber qual é. Maria de Carlos ou de Rita?   -Mas e a Rita? -Não quero Rita, não! Se me deixar um violão eu fico mesmo mudo. Têm Bárbara, Angélica, Sílvia, Ana, Beatriz, Renata Maria, Carolina, Cecília, Luísa e tantas que eu não me lembro, assim como o Chico. O que sei é que tem uma que não rima com nada e ainda está sem canção. Pra rimar só mesmo um 'não' que não desejo, e se tirasse o que não desejo seria o desejo corrosivo ou o que me resta. Ela rima com os íntimos, onde não me encontro. E se não corresponder continuará Leonardo na amplidão do lado de fora da canção, onde sou todo rima sem verso, e agora inverso.

Sem par harmonioso só o sobejar derrama aqui. Texto mareado que não oferece nem trocado. Se ler essa vulgaridade saberá que já faz parte do texto sem rima, ritmo, sem nada! E se me chamar novamente de mestre, serei o professor com toda peste, ou o Leonardo que se preze.



Escrito por Leonardo Cattoni às 22h11
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Olé!!!

O 'Rei do Pop' foi absolvido das acusações na terra do Tio Sam. Já o nosso 'plebeu' de hoje, com a tal atuação teatral que os inimigos dizem (se for realmente, ele poderá abandonar a política e se tornar um Berlolt Brecht da vida), tenta não ser condenado sob torturas pela corte, na capital de meu país. Ele só não quer ser ''torturado".

Acreditava e ainda acredito, de tão estúpido e anti-social, que sou, sem me vender para a alienação negra, que corrompe a mente, escurecendo-a de toda coerência que me sobra, nada mais, que o deputado é mesmo uma isca. Talvez até um inocente daquelas acusações. De outras que poderá vir à tona, já não sei.

Um pobre traído que resolve entregar ( por lógica ) os traidores e toda sua cúpula, esquecendo que já comeu no mesmo prato de todos eles no passado não tão glorioso (pelo menos para o Jefferson). Não estou eu, com a minha incapacidade intelectual o inocentando. Mas sinto também que a incapacidade que me apodera para não inocentá-lo seja a mesma para não condená-lo. Não me meto nessas brigas. Às vezes me transformo apenas num espectador que tende a torcer pelo oprimido, pelo mais fraco e que vai se soltando, mesmo sozinho na torcida rival. Hoje me transformei num torcedor fanático, com todos aqueles apetrechos que enfeitam as arquibancadas de nossos estádios. Torço pelo Jefferson! Sou o único a gritar "olé" e não ver o resultado; o gol. Quero que ele faça como os heróis dos filmes de ação. Que extermine um exército inteiro de inimigos, um por um. Mas creio que não terá o mesmo fim dos filmes fictícios. Isso me aborrece muito. Aborrece mais é ficar aqui, escrevendo o que de fato será censurado pelos meus inábeis compatriotas.

 



Escrito por Leonardo Cattoni às 00h20
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